terça-feira, 26 de maio de 2015

Reflexão1

Existem nestas dinâmicas dos Acantonamentos, como em muitas situações educativas, diversos pontos de vista pedagógicos. Aceito, como tendo vantagens, outras formas de planear, organizar e implementar este tipo de atividade, diferentes daquela que, ao longo dos últimos anos, tenho utilizado com os meus grupos.
Colocando de parte desta reflexão as questões da organização e da maneira como cada professor chega com os seus alunos a um esquema e coloca esse projeto em ação, gostaria de partilhar convosco alguns pensamentos que fui tendo ao longo do dia de hoje:

1.     O tempo. Gosto desta sensação de ter tempo; de, apesar de haver compromissos e objetivos, conseguir fazer muitas coisas, com uma calma boa e tranquila. São assim os dias de Acantonamento, apesar da atenção sempre nos limites. Procuro encontrar uma postura que promova esta sensação e responsabilidade em todos, nunca esquecendo os principais objetivos da atividade e que têm constantemente de ser lembrados. Tenho tempo para observar e conversar com os meninos. Tenho tempo para os deixar ultrapassar obstáculos vários. Tenho tempo para me deslumbrar com os seus comentários e interações... Tenho tempo e isso é mais que bom!
2.     Perder-me. Gosto desta sensação de me poder perder numa cidade e de me surpreender com o que encontramos. Adoro não ter as coisas combinadas e não sentir aquela espécie de prisão que inviabiliza os imprevistos – adoro imprevistos e resolvê-los com os meninos; naturalmente e sem grandes “sequências de aprendizagem”. Agrada-me ir construindo o nosso dia-a-dia com eles, num papel de produtores dos nossos passos, ao invés de sermos apenas “consumidores” de visitas que, não deixando de poder ser belos e interessantes momentos de aprender, nos colocam num papel muito menos ativo e, na minha opinião, menos envolvente e interessante.
3.     Normalidade. A Escola, sendo uma instituição pouco natural na vida do Homem, tem transformado a vida humana, sobretudo os seus primeiros anos, numa espécie de artificialidade a que infelizmente poucos olham com pensamento crítico ou mesmo radical. Habituámo-nos a que as sociedades fossem assim e que o crescer e o aprender seja desta forma. Não tem de ser, diria eu. Por isso estes momentos “fora”, como os Acantonamentos nos permitem tantas aprendizagens dessa outra maneira, pouco “convencional”, mas normal, digo eu... Se pensarmos como é que nos colocaríamos se fossemos com outros a um espaço novo e como gostaríamos de estar com eles, podemos, possivelmente, encontrar um esquema parecido com este, em que o mais importante de tudo é... ESTAR. E irmos aprendendo a estar também. Tenho conseguido sempre nestas dinâmicas importantes situações em que verifico este crescimento comunitário, social e emocional, desancorado de uma estrutura familiar e escolar onde os movimentos de cada um acabam sempre por estar algo condicionados pelos contextos.

Este, tal como outros Acantonamentos, têm conseguido isto tudo e mais ainda. Sairemos de Aveiro com estas vivências e outras aprendizagens, algumas das quais ficarão connosco para sempre (e imagino que mais do que o que disse o guia do museu ou da oficina nos lembraremos que o X disse ao Y: “Se andasses tanto como falas isto seria muito melhor!”).

Adoro acantonar!

Cumprimentos a todos.



Pedro Branco 

4 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. que maravilha! um beijinho para tod@s!

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  3. Quem me dera ser outra vez menino para reaprender o mundo assim... Pai da Vi
    E ter tempo para estar e partilhar o mundo com o vosso olhar... Mãe da Vi
    Viva a turma mista!!! Vivi!

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