quarta-feira, 27 de maio de 2015

Reflexão2

Acontecem nos Acantonamentos um sem número de situações que nos fazem refletir e conhecer melhor os alunos e as suas vidas/hábitos. Estar 24 horas/dia com eles, nesta liberdade responsável, promovendo a sua cada vez maior autonomia e maturidade, é abrir um contexto muito favorável à existência e melhoria dessas dinâmicas.

Vamos percebendo, pela postura que os meninos assumem em determinados momentos, como e para onde se movimenta a sua educação quotidiana e social, relativamente a um sem número de aspetos que, muitas vezes, não temos oportunidade de ver na escola (apesar de na nossa escola termos um contexto bastante favorável a estas relações).

Um dos principais aspetos tem a ver com a autonomia. Há uma diferença muito considerável entre meninos - e não estou a falar especificamente DESTES - que têm como "ADN" uma vasta gama de experiências e desafios, relativamente a outros que, nalguns casos, com 6 ou 7 anos, ainda mal sabem tomar banho sozinhos! Serve esta constatação para refletir na questão do desenvolvimento da criança naquilo a que alguns autores chamam o "currículo familiar" e o "currículo escolar". Com efeito, uma criança que tem esta inevitabilidade de se ter de desenvolver e formar entre a família e a Escola, revela diferentes graus de competências nos variados domínios dos 2 currículos. Teremos, pois, de encontrar um equilíbrio entre aquilo que uns (a família) podem/têm/acreditam e o que faz parte da responsabilidade dos outros (a Escola). Este equilíbrio vai-se regulando com atividades e reflexões destas e quanto mais houver uma consonância, respeito e diálogo, melhor será, por ventura, o crescimento da criança.

Apesar de distinto do referido acima, gostava de reforçar, por exemplo, a questão da alimentação e dos hábitos alimentares. É muito fácil verificar - até na escola - que tipo de cultura alimentar existe num determinado menino. Não tanto por aquilo que ele tem e traz para comer, mas também pela forma como reage ao que lhe aparece como ementa. Nos Acantonamentos temos e assumimos uma postura educativa face a esta questão e somos muito confrontados com "não gosto de...", "odeio...", "não costumo...", "a minha mãe diz..." Criar e educar o paladar, de forma a poder transmitir a cada indivíduo uma posterior capacidade saudável de decisão face ao seu percurso alimentar (pois, enquanto estão com os pais, serão estes os responsáveis e dominadores da situação) deve ser algo em que todos os intervenientes educativos - família, escola, media... - se devem envolver com algum cuidado. Este aspeto entronca também na delicadeza que tem a ver com as perspetivas de cada um face a esta questão e por isso não é fácil o nosso papel, pois este está assente nas nossas crenças e conhecimentos. De qualquer forma, procuramos sempre que nestas atividades, os meninos comam de tudo, negociando (e nalguns casos, impondo) uma alimentação que no nosso modelo de ver é equilibrada, saudável e equilibrada.

Desde que me lembro que na TurmaMista os Acantonamentos duram 1 semana, ao contrário de outras turmas, que vão gerindo o número de dias em função da idade dos meninos. Como temos sempre esta mescla etária, fomos sempre decidindo pela bitola dos mais velhos. Não nos temos dado mal, no geral. Todos os meninos normalmente gostam e acham bom este "duro" desafio de 5 dias e 4 noites de separação. Muitos deles começam um trabalho interior de resolução destas inquietações logo no primeiro dia. Como aquela aluna que disse qualquer coisa do tipo: "Eu tenho saudades da minha mãe. Até já tinha saudades dela quando ainda estávamos na estação e eu estava a vê-la!" Entendo tão bem as saudades. Pois, sou cantor, sou poeta, sou amante, sou pai... Sabemos bem das dificuldades que se nos colocam as ausências e como é por vezes difícil lidar com isso. Respeito muito essas lágrimas e sentimentos. Há-os sempre. Vindos, inclusivamente, de quem menos se espera (não estou a fazer nenhuma referência concreta). Mas como muitas situações, depois de acontecerem, "até foi bom"! Serão assim as saudades. Vai ser bom o reencontro e o reganhar a vida em conjunto. Vão ver. Palavra de... mim!

Que tal esta canção? Há-as igualmente, aos molhos, no folclore açoreano, tão lindas!!!

http://www.lyricsmania.com/chega_de_saudade_lyrics_tom_jobim.html

Cumprimentos a todos!

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