Existem nestas dinâmicas dos
Acantonamentos, como em muitas situações educativas, diversos pontos de vista
pedagógicos. Aceito, como tendo vantagens, outras formas de planear, organizar
e implementar este tipo de atividade, diferentes daquela que, ao longo dos
últimos anos, tenho utilizado com os meus grupos.
Colocando de parte desta reflexão
as questões da organização e da maneira como cada professor chega com os seus
alunos a um esquema e coloca esse projeto em ação, gostaria de partilhar
convosco alguns pensamentos que fui tendo ao longo do dia de hoje:
1.
O tempo. Gosto desta sensação de ter tempo; de,
apesar de haver compromissos e objetivos, conseguir fazer muitas coisas, com
uma calma boa e tranquila. São assim os dias de Acantonamento, apesar da atenção
sempre nos limites. Procuro encontrar uma postura que promova esta sensação e
responsabilidade em todos, nunca esquecendo os principais objetivos da
atividade e que têm constantemente de ser lembrados. Tenho tempo para observar
e conversar com os meninos. Tenho tempo para os deixar ultrapassar obstáculos
vários. Tenho tempo para me deslumbrar com os seus comentários e interações...
Tenho tempo e isso é mais que bom!
2.
Perder-me. Gosto desta sensação de me poder
perder numa cidade e de me surpreender com o que encontramos. Adoro não ter as
coisas combinadas e não sentir aquela espécie de prisão que inviabiliza os
imprevistos – adoro imprevistos e resolvê-los com os meninos; naturalmente e
sem grandes “sequências de aprendizagem”. Agrada-me ir construindo o nosso
dia-a-dia com eles, num papel de produtores dos nossos passos, ao invés de
sermos apenas “consumidores” de visitas que, não deixando de poder ser belos e
interessantes momentos de aprender, nos colocam num papel muito menos ativo e,
na minha opinião, menos envolvente e interessante.
3.
Normalidade. A Escola, sendo uma instituição
pouco natural na vida do Homem, tem transformado a vida humana, sobretudo os
seus primeiros anos, numa espécie de artificialidade a que infelizmente poucos olham
com pensamento crítico ou mesmo radical. Habituámo-nos a que as sociedades
fossem assim e que o crescer e o aprender seja desta forma. Não tem de ser,
diria eu. Por isso estes momentos “fora”, como os Acantonamentos nos permitem tantas
aprendizagens dessa outra maneira, pouco “convencional”, mas normal, digo eu...
Se pensarmos como é que nos colocaríamos se fossemos com outros a um espaço
novo e como gostaríamos de estar com eles, podemos, possivelmente, encontrar um
esquema parecido com este, em que o mais importante de tudo é... ESTAR. E irmos
aprendendo a estar também. Tenho conseguido sempre nestas dinâmicas importantes
situações em que verifico este crescimento comunitário, social e emocional,
desancorado de uma estrutura familiar e escolar onde os movimentos de cada um
acabam sempre por estar algo condicionados pelos contextos.
Este, tal como outros
Acantonamentos, têm conseguido isto tudo e mais ainda. Sairemos de Aveiro com
estas vivências e outras aprendizagens, algumas das quais ficarão connosco para
sempre (e imagino que mais do que o que disse o guia do museu ou da oficina nos
lembraremos que o X disse ao Y: “Se andasses tanto como falas isto
seria muito melhor!”).
Adoro acantonar!
Cumprimentos a todos.
Pedro Branco
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderEliminarque maravilha! um beijinho para tod@s!
ResponderEliminarQuem me dera ser outra vez menino para reaprender o mundo assim... Pai da Vi
ResponderEliminarE ter tempo para estar e partilhar o mundo com o vosso olhar... Mãe da Vi
Viva a turma mista!!! Vivi!
Concordo:)
ResponderEliminarBeijinhos para todos!